sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A monarquia ainda reina.

A monarquia e seu modelo econômico, dá inveja ao presidencialismo tupiniquim...


Para muitos, monarquia nos remete ao antigo reinado, cobertos de ouro, Reis e Rainhas para dar e vender, assim como sustenta-lo com suor dos impostos de cada dia. Passando por uma certa pagina de um blog qualquer, encontrei algo que me deixou  curioso, olhei algumas vezes, repensei, analisei e por fim estou aqui escrevendo algo que me chamou a atenção. Os países que ainda vivem sobe o julgo da monarquia se desenvolve socialmente e economicamente de forma pujante, sabemos que tem seus problemas peculiares, monarquia também não é um sistema governamental perfeito, mas é inegável o que eles ainda podem nos mostrar como é possível viver em uma país monárquico. Pois é, reinado ou monarquia como queira, gasta menos recurso advindos dos impostos que são pagos a coroa, do que presidencialismo nos dias de hoje. O povo da Dinamarca ou da Inglaterra gasta menos com seus Reis e Rainha do que o brasileiro com seus "Lulas" e suas "Dilmas"....



R.Douglas Dias Rolim

A vida e a politica

A favor da vida, a Política que faz bem.




Cortella – Sabe, Renato, estive aqui fazendo uma associação de um ponto de nosso último tópico, o confronto, com a noção de colapso que você explorou antes. Isso me levou a uma palavra que atualmente pouco usamos, e que antes mencionei, ao falar de “horizonte adversário”, que é agonia. Quando você falou em colapso, pensei em uma sociedade que agoniza em várias frentes. Existe a luta que se trava a favor e a luta que se trava contra. Quem ou o que luta a favor é protagonista; quem ou o que luta contra é antagonista. Muitas vezes, temos a política como antagonista da nossa convivência livre e coletiva. Penso que temos que ser protagonistas. Sem romantizar a questão em excesso, creio que parte da minha possibilidade de felicidade está em eu ser protagonista da política. Ou seja, não ser nem negligente, nem leniente, não ser alguém que deixa de participar, no meu nível de possibilidade e autonomia, fazendo a escolha por um partido, ou pelo movimento de uma ONG, no sindicato, no clube que frequento etc. Mas é importante que eu não seja antagonista da minha própria felicidade. Ser, portanto, protagonista político. Gostaria de usar uma expressão que nos era
muito cara na década de 1960: política faz bem. Nós nos sentíamos vivos. E sentir-se vivo é saber que a corrupção é algo que não se deseja e, por isso, deve ser empreendida uma ação para que ela deixe de existir. Sentir-se vivo é também sentir-se participante Em 1984, antes da campanha das Diretas Já, saiu uma passeata da PUC-SP que se juntou a outros grupos que seguiam em direção à Praça da Sé. Nós carregávamos um caixão da ditadura (tenho uma foto dessa cena até hoje).
Estávamos habituados a fazer passeatas e, nesse dia, tive uma pequena “frustração”, porque não houve oposição no caminho. Encontramos várias viaturas da polícia que estavam protegendo o caminho para passarmos.

Janine – O governador então era Franco Montoro. Cortella – Isso mesmo. Qual foi a sensação? Nós seguimos da rua Monte Alegre para debaixo do Minhocão, passamos pela avenida São João – e, no
caminho, viaturas da polícia fechavam o trânsito de veículos –, depois fomos pela Duque de Caxias, perto do Largo do Arouche, e durante todo o trajeto a passeata pôde seguir tranquila. Perdeu a graça? Lógico que não! Porque a graça era justamente ter conseguido aquilo. Janine – Era um êxito. Cortella – Existia ali a ideia de que a política mantém a pessoa viva. Eu, Cortella, não estava mais vivendo sob a ditadura; assim como um jovem, hoje, já não sofre uma opressão que impeça a democracia. Precisamos, então, encontrar a fonte de vida na política em outros elementos, e creio que evitar o colapso do indivíduo, da sociedade, da história é um bom motivo, um elemento essencial. Afinal de contas, ainda podemos evoluir para óbito...

Janine – Queria falar um pouco dessa ideia de felicidade a que você se referiu há pouco. Felicidade é um complexo de ideias. Vida social ou vida política fazem parte da minha felicidade? Sem dúvida. Mas até que ponto? Geralmente, faz parte de certa sabedoria de vida o indivíduo não deixar o que é externo afetar demais a sua vida. Ou seja, faz parte da sabedoria de vida a utilização de uma
espécie de vacina, inclusive contra a política, contra tudo aquilo que não depende dele. Certamente o fator aleatório tem um peso considerável na nossa vida. Eu e você, Mario, já ocupamos cargos de confiança do poder público e sabemos que, nessa posição, a pessoa fica à mercê de muitas conjunturas. Alguém pode falar uma frase tola, você pode perder seu cargo porque foi
ineficiente, ou até porque foi eficiente demais... Tudo é possível. Em suma, quanto mais você se abre para o mundo, mais você fica à mercê. Daí que, como o estoicismo nos adverte há cerca de 2 mil anos, seja prudente não se deixar levar demais pelo caráter oscilante da vida externa. Em nossa discussão, estamos timidamente acreditando que uma articulação do social ou do político possa contribuir para nossa felicidade. A ideia de Felicidade Interna Bruta (FIB) trabalha com a expectativa de contribuir positivamente para a nossa felicidade ou de, pelo menos, reduzir os fatores de
infelicidade. Hoje, reduzir os fatores de infelicidade é, por exemplo, diminuir a degradação ambiental, e trazer elementos de felicidade é garantir a sustentabilidade. Assim, um investimento ecológico, dependendo de sua escala, pode apenas reduzir a infelicidade ou contribuir positivamente para a felicidade. Esse ponto depende do grau de utopia em que se está apostando. Se acreditarmos que conseguiremos estabelecer o que hoje chamamos de sustentabilidade e 50 anos atrás talvez chamássemos de uma sociedade socialista (são duas coisas diferentes, mas enfim)...

Cortella – Como ideal, não são diferentes. Janine – Tem razão. Talvez a sustentabilidade, o compromisso com a vida, tenha sucedido ao socialismo, que ser ia o compromisso com o mundo do
trabalho – algo importante, que permanece, mas menos abrangente do que a vida. Mas de todo modo, se acreditarmos na possibilidade de êxito de um desses projetos, acreditaremos também que nossa felicidade pessoal será fortemente beneficiada por isso. Isso não vai nos impedir de sofrer com uma separação ou com a morte de um ente querido, em absoluto, mas pode atenuar outras fontes
de sofrimento ou até nos equilibrar mais para enfrentar tais circunstâncias. O problema, em grande parte, é se vamos conseguir fazer isso. O risco do colapso está presente. Todas as épocas recearam o fim do mundo, algum tipo de apocalipse. Mas a nossa é a primeira que tem evidências científicas para a possibilidade de que se extinga a vida humana, em prazo breve, pela devastação do planeta. Além
disso, nossa época é a primeira a manifestar uma crescente convicção de que podemos ser apenas um parêntese na história do mundo, do universo. Quando Deus era uma presença forte, quando conhecíamos menos a história do planeta e das espécies, podíamos pensar que éramos o coroamento da criação, que tudo teria sido feito para nós. Hoje, até evitamos pensar nessa questão. Vamos a um museu de ciências. Pensemos quantos bilhões de anos houve antes de nós e quantos deverá haver depois de nós: então nos perguntaremos por que, afinal, fazemos tudo o que fazemos. Se a espécie acabar, para que tanto som e fúria? Isso é diferente para quem acredita na vida eterna, mas essa
crença movimenta cada vez menos pessoas. No entanto, penso que um certo receio do colapso é positivo, porque pode ser um acicate para nossa ação. Um dos aspectos que mais nos motivaram em
nossa conversa foi o descaso com a dimensão pública ou política. Se pensarmos que o político não se restringe à política partidária, nem aos governos, mas diz respeito ao modo como a humanidade define seu destino, veremos que enfrentar o risco do fim do mundo é uma prioridade política. A construção da felicidade possível é uma boa pergunta, que leva em conta tanto o horizonte
para o qual nos movemos, e que sempre se afasta, quanto as ameaças que vemos pairando sobre nós e que precisamos enfrentar, em vez de fingir que não existem. Cortella – Isso é bom demais. Em outras palavras, hoje, o exercício da política nas suas múltiplas dimensões, por qualquer pessoa, é um projeto contra o biocídio. É realmente um projeto contra o biocídio, a favor da vida em mim,
no outro – da vida no planeta. Esse antibiocídio é um projeto muito mais amplo do que a minha vida exclusivamente individual. É uma recusa à ideia de que há uma banalidade na existência. Desse ponto de vista, para mim, ele é uma energia vital. Stephen Jay Gould, paleontólogo norte-americano já falecido, chegou a fazer algo que acho genial: calculou a massa das bactérias e dos humanos que
há no planeta. Pois a soma total da massa das bactérias é mais pesada do que a soma da massa dos seres humanos... Nem mesmo em termos de massa nós temos tanto significado em relação a outras formas de vida. A nossa antropolatria pode ser um pouco perigosa... Contudo, talvez essa admiração por nós mesmos seja um recurso do qual lançamos mão contra o colapso. Gosto muito quando Marx diz: “A humanidade nunca se coloca problemas que não possa resolver”. Afinal, a mesma situação que gera o problema, e a consciência dele, gera também os meios para resolvê-lo. Então, sem dúvida,
temos uma questão política que, no meu entender, é um projeto contra o biocídio, isto é, um projeto para afastar o colapso. Janine – Para concluir, eu estava pensando que somos herdeiros de uma
época em que a política era vivida como uma forma de oposição. Houve a guerra contra o fascismo – uma das coisas mais próximas do mal que já existiram na política, junto, claro, com outras formas de totalitarismo, como o stalinismo. Houve também toda uma interpretação do mundo pelo conflito
capital/trabalho, capitalismo versus socialismo etc. Mas, quando passamos à questão da vida, estamos perante uma situação em que todos somos perdedores ou todos somos ganhadores. Nossa sociedade pode ser muito individualista, mas seu destino se jogará em conjunto. Nas formas anteriores de pensar política, tínhamos situações em que alguém ganhava e alguém perdia. Não estou dizendo que esses dois lados somassem zero, ou seja, que um ganhava exatamente o que o outro perdia. O Estado do bem-estar social melhorou a distribuição de renda e a soma foi positiva. Já a maior parte das guerras gerou uma soma negativa, porque a destruição total foi maior do que aquilo que os
vencedores tomaram para si. Um exemplo banal: quando alguém furta o rádio de um carro, o estrago que faz no veículo é muito maior do que o dinheiro que ganhará do receptador. Agora, estamos numa época – já entramos nela, mesmo que nem todos estejam conscientes ou convictos disso – na qual importa saber que nesse novo jogo todos iremos ganhar ou, todos, perder. E o que discutimos sobre consenso e acordos me convence disso. Enquanto em várias questões – trabalhistas, previdenciárias, conflitos patrão/empregado, conflitos religiosos etc. – as pessoas adotam posições divergentes, já quando o que está em jogo é a vida (a vida no planeta, a nossa qualidade de vida nele), passamos a ter uma base mais firme para uma aproximação entre nós, para uma nova aliança. Cortella – Em tal circunstância, nosso inimigo, nosso antagonista passa a ser o biocídio. Assim precisamos estar conscientes, atentos aos efeitos de nossos atos, desejosos de estabelecer laços de convivência para preservar a vida. A política não pode ser anulação, tem de propiciar possibilidades de convivência.
É por isso que, se alguém me pergunta: “Política?”, eu respondo: “Sou a favor”. “A favor de quê?” Aí começa a política. E ouça o que vamos falar...


A filosofia em função da politica para não ser um idiota



O indivíduo e a sociedade: Política não é coisa de idiota

Mario Sergio Cortella – Sabe, Renato, ao pensar neste nosso encontro, eu
me dei conta de que a ideia para esta conversa surgiu quando fiquei pensando
no conceito de idiota.

Renato Janine Ribeiro – E você se lembrou de mim...

Cortella – Brincadeira à parte, lembrei sim, mas em razão de sua formação filosófica que possibilita uma reflexão particularmente interessante de como lidar com nosso tema. Esse termo aparece em comentários indignados, cada vez mais frequentes no Brasil, como “política é coisa de idiota”. O que podemos constatar é que acabou se invertendo o conceito original de idiota, pois a expressão idiótes, em grego, significa aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política. No cotidiano, o que se fez foi um sequestro semântico, uma inversão do que seria o sentido original de idiota. O que você pensa a respeito da retomada desse conceito como aquele que vive fechado dentro de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal? Sua expressão generalizada é: “Não me meto em política”. Como você vê essa postura?

Janine – Vejo uma coisa meio paradoxal hoje. Por um lado, gosto muito de nosso tempo porque estamos vivendo o período de maior liberdade de toda a história. Nunca antes, na história deste mundo, houve tanta liberdade política e pessoal. Metade da humanidade se expressa, se organiza, vota, tem a orientação sexual de seu agrado. Logo, dessa perspectiva, a política se expandiu muito. Tanto é assim que atualmente há certa convergência de conceituação entre política e democracia. Quando os teóricos definem uma ou outra, dizem que as duas passam pela fala, pela conversa, pelo diálogo. Elas se opõem às ditaduras porque nestas não há liberdade de expressão. Daqui a um tempo é possível que predomine a ideia de que não há política que não seja democrática, e então talvez não se ouça mais falar em política stalinista, em política ditatorial etc. Talvez se ache que uma “política ditatorial” é uma contradição... Esse é o aspecto positivo do mundo contemporâneo. Por outro lado, o negativo – ou, pelo menos, preocupante – é o desinteresse pela política, que você apontou. Quer
dizer, ao mesmo tempo em que meia humanidade está se beneficiando de avanços democráticos, boa parte das pessoas está enojada pela descoberta ou pelo avanço da corrupção (aliás, é discutível se ela realmente aumentou ou apenas se tornou mais visível).

Cortella – De fato, mas elas se sentem assim em relação a um determinado modo de fazer política. Não corresponde à ideia mais abrangente de política. Você tocou num ponto que é a conexão entre liberdade, democracia e política. Vale lembrar que, para a própria sociedade grega – nossa mãe antiga, idosa, agora um pouco desprezada –, não haveria liberdade fora da política. Quer dizer, o idiota não é livre porque toma conta do próprio nariz, pois só é livre aquele que se envolve na vida pública, na vida coletiva.

Janine – Mas para nós, modernos, a liberdade pessoal é fundamental. Isso pressupõe uma sociedade muito mais diversificada do que a grega ou do que qualquer outra. Até 200 anos atrás, toda sociedade exigia de seus membros uma conformidade religiosa, e até uma conformidade alimentar, para subsistir – mesmo entre os gregos era assim. Já a nossa sociedade admite uma diversidade fabulosa: pode-se jantar no restaurante indiano sem ser hinduísta, ou no italiano sem ser católico-romano. Tais escolhas não implicam necessariamente uma postura social ou política. Esse avanço da vida pessoal, que é o que você está falando do idiótes, realmente é entendido por nós como algo positivo, e nos melhores momentos conseguimos fazer com que haja convergência entre liberdade política e liberdade pessoal.

Cortella – Claro, a liberdade pessoal é necessária. O avanço da noção de indivíduo, desde a Renascença, foi decisivo para o desenvolvimento da sociedade como a conhecemos. Contudo, o individualismo se transformou em obsessão em vários momentos, o que é especialmente evidente na substituição do indivíduo pelo individual – entendido como exclusivo, e não como identidade. Até quando você evoca a possibilidade de eu ter minha orientação sexual, religiosa ou alimentar, existe aí uma determinação – para usar um termo antigo d e Marcuse – da indústria cultural, da ideologia da sociedade industrial, que cria alguns padrões de comportamento. De fato, algumas pessoas (aquelas com mais condições econômicas ou mais autonomia intelectual) podem fazer escolhas mais livres. Eu posso ir a um restaurante indiano sem ser hinduísta ou indiano; posso frequentar um culto sem praticá-lo. Mas também sou constrangido – conscientemente ou não – a uma série de práticas que suponho serem minhas escolhas no mundo do consumo, da indústria cultural, mas que não são realmente minhas. Você considera que esse é um traço característico do moderno, isto é, de uma ideologia cujas plataformas são mais eficazes do que as de outros tempos?


Janine – Sim, no sentido de que já não é preciso matar pessoas, levá-las à fogueira ou ameaçá-las para conseguir que os comportamentos se ajustem ao que é socialmente desejável. Nesse quesito, acho que temos um misto de avanço e de recuo. Quer dizer, é ótimo que ninguém seja morto por divergir das correntes dominantes na política ou mesmo no comportamento, mas também é preocupante pensar que somos governados por determinações das quais mal temos consciência. Uma discussão interessante a esse respeito se levantou, quando se aprovou em São Paulo a lei limitando o uso do tabaco em público. Muita gente a questiona de uma forma marota, mas, na verdade, o que a lei proíbe é que o indivíduo terceirize a sua fumaça. Não se proíbe ninguém de fumar, mas de fazer o outro aspirar o seu fumo.

Cortella – A proibição visa evitar que não fumantes sejam constrangidos
pelos fumantes.

Janine – Mas há gente que questiona: “A lei pode me impedir de fazer mal a mim? Pode determinar que eu não fume porque isso fará mal à minha saúde?”. Ora, sinto vontade de responder: “Mas quem disse que você escolheu tão livremente fumar? Quem disse que não houve uma propaganda maciça para levar você a escolher fumar (ou a escolher comida gostosa, escolher engordar)? Que liberdade é essa?”. Você tem razão, Mario, quando afirma que somos alvo de n constrangimentos. Por isso, penso que a resposta ideal à sua primeira pergunta poderia ser: A política seria uma maneira de lançarmos luz sobre essas teias invisíveis que nos dominam e tentarmos controlá-las.

Cortella – A política é vista aí como convivência coletiva mesmo. Quando se poderia imaginar que o conjunto da sociedade aceitaria a interdição do uso do tabaco em determinados espaços? Ou mesmo a limitação do uso dos carros particulares em algumas cidades em dias e horários específicos, ou ainda de fazer ruído a partir de determinada hora, mesmo que moremos cada um em sua própria domus, ou seja, em sua casa? Mas a questão é que não temos domus, só temos con-domínios. Viver é conviver, seja na cidade, ainda que em casa ou prédio, seja no país, seja no planeta. A vida humana é condomínio. E só existe política como capacidade de convivência exatamente em razão do condomínio. Daí o indivíduo pergunta: “Mas e meu direito de sair com meu carro quando quiser, ou de fazer ruído até a hora que eu desejar?”. Outro dia, eu voltava de Campinas para São Paulo pela rodovia dos Bandeirantes, e na frente havia um caminhão-baú, desses fechados e grandes, ostentando, na traseira, aquela frase obrigatória para algumas empresas: “Como estou dirigindo?”. Mas ele deu sequência à frase, assim: “Como estou dirigindo? Mal? Dane-se, o caminhão é meu”. Essa lógica “do caminhão é meu” significa “eu faço o que quero, sou livre”. Ora, esse exercício da liberdade como soberania é algo que se aproxima da ideia da idiótes. Não sou soberano. Entretanto o indivíduo afirma: “Eu sou soberano sobre mim mesmo”. Mas ser soberano sobre si mesmo não é política. Ou será que é?


Fonte: POLÍTICA
Para não ser idiota
Mario Sergio Cortella
Renato Janine Ribeiro