Ele
foi criticado por Karl Marx, por expressar aquilo que iria acontecer. Como
mostra o percurso da história, o filosofo anarquista criticado, vulgo Mikhail Bakunin, estava certo quando formulou essa visão perante o que ele escreveu sobre o operario e sua subida ao poder, o relacionando com a natureza humana. Embora eu não concordando com
toda sua visão de mundo, devo dizer que, ele foi correto em fazer esta
afirmação, disse ele: “assim sob qualquer ângulo que se esteja situado para
considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da
imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria,
porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim com certeza, de
antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do
povo, cessaram de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletariado de
cima do estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas
pretensões de governa-lo. Quem duvida disso, não conhece a natureza humana”. Esse mesmo filosofo
criticado, fez uma carta ao filósofo que o criticou, dizia mais ou menos assim
em seu segundo parágrafo: "Entre meus caluniadores mais agressivos e insistentes − juntamente
com os agentes do governo russo – menciono naturalmente o senhor Marx, o
chefe dos comunistas alemães, que, sem dúvida por causa de sua tripla condição
de comunista, de alemão e de judeu, cismou comigo. Ainda que
pretenda nutrir igualmente um grande ódio contra o governo russo, nunca se
ocultou, pelo menos contra mim, de agir de acordo com este governo. Para me
denegrir aos olhos do público, o senhor Marx não só recorre aos órgãos de uma
imprensa complacente como também se serve de correspondências e cartas íntimas,
de documentos e conferências da Internacional Socialista e não hesita em fazer
desta grande e bela associação, que ele contribuiu a fundar, um instrumento de
suas vinganças pessoais... Mas não é para responder a Marx que farei uma
exceção à regra de silêncio que me tenho imposto. Hoje, no entanto, senhores,
eu tenho o dever de repelir suas mentiras ou, para usar uma linguagem mais
parlamentar, seus erros, que se inseriram nas colunas do seu jornal." No
resto da carta Bakunin explica em detalhes as intenções ocultas e os equívocos
de Marx e discorre sobre questões que fascinaram várias gerações, mas que
tornaram-se para o público de hoje bastante obscuras. Mas o que torna
essa carta de grande valor não é a replica por si só que o Bakunin fez ao que Karl Marx, que lhe tinha
criticado, como também não apenas mais um dos inúmeros embates doutrinários que
alimentavam o dia a dia da esquerda revolucionária europeia (e que hoje estão
em grande parte esquecidos para alegria da Europa e dos europeus), é a identidade
intrínseca do crítico de Bakunin, contra o qual o anarquista se insurge nestas cartas que ele escreveu e é de grande valor academico, porem escodem dentro dos nossos centros de debate. Quem quiser saber mas desta carta, os detalhes que nela contem, e as intenções ocultas e os equívocos de Marx sobre a visão de Bakunin, é só esperar o meu próximo post neste blog. No mais, se houvesse duas
escolhas ideológicas para seguir, e se essas duas fossem, uma do Bakunin e outro
do velho Marx, o anarquista me teria ao lado dele.R. Douglas Dias Rolim
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