Revolução Cubana - De um ditador para o outro.
1º parte.
Revolução Cubana
Em
1º de janeiro de 2009 completa-se 50 anos
da Revolução Cubana. Neste mesmo dia, em 1959, Fidel Castro destrona Fulgencio
Bastista e torna-se o novo ditador da ilha. Este artigo trata das histórias
desta revolução e daqueles que terminaram traídos por ela. “Uma mudança
política que apenas coloque as mesmas estruturas a serviço de um novo grupo
social, de um partido ou de um chefe não muda para o trabalhador sua condição
de explorado, e para o cidadão sua condição de dominado. Uma mudança como esta
não é uma revolução social, a menos que se entenda como tal uma simples
substituição de governantes através de um golpe de Estado ou de uma insurreição
armada. E foi isso que aconteceu em Cuba: Bastista foi substituído por Castro.
E para consolidar sua hegemonia e perpetuar-se no poder, Castro serviu-se de um
pretexto ideológico, a “revolução” marxista, identificando esta com a sua
pessoa e vice-versa.” Mas não era isso que Octávio Alberola pensava 50 anos
atrás. Alberola também estava no México quando os primeiros cubanos do M26J (Movimentos
26 de Julho, em homenagem ao dia do levante de Moncada e Bayamo) chegaram para
o exílio, em 1955. A maioria deixou a ilha após a anistia do ditador Batista,
que beneficiou inúmeros guerrilheiros dos ataques aos quartéis de Moncada e
Bayamo, entre eles os irmãos Castro, Antonio López Fernández (conhecido como
Mico López) e Gustavo Arcos. O bravo Camilo Cienfuegos e Mario Chanes de Armas
em breve se incorporariam ao grupo, abandonando o exílio nos Estados Unidos. O
México era o país perfeito para aninhar expatriados rebeldes: além de
localizar-se a poucas horas de barco de Cuba, é conhecido por sua cordial
hospitalidade com exilados políticos. O país foi o porto seguro para grande
parte dos anarquistas que fugiram após o débâcle da Guerra Civil
Espanhola, e muitos deles, juntar-se-iam ao M26J para lutar em Cuba. Este
apreço pelos rebeldes é absolutamente compreensível: durante toda sua história
o México combateu as mais diversas facetas do imperialismo, desde o
mercantilismo espanhol até o esquizofrênico capitalismo norte-americano (vide o
levante do Ejército Zapatista de Liberación Nacional,
em 1ode janeiro de 1994). Sua Revolução acontecera
apenas quatro décadas antes, heróis como Villa, Zapata e Flores Magón ainda
reverberavam na memória do povo. Esse legado era a prova cabal que garantiria o
carimbo de entrada na aduana para os guerrilheiros cubanos. A idéia de Fidel
era reagrupar o M26J, e partir para Cuba somando forças para a revolução. Octávio
Alberola é um espanhol radicado nas lutas anti-franquistas. Vivia no México
desde dezembro de 1939, quando aportou no país com seus pais e outros muitos
refugiados espanhóis. Foi na universidade que teve contato com os primeiros
exilados latino-americanos vindos da Venezuela, República Domi nicana, Peru e
Cuba. Foi com eles que, neste período, constituiu a Frente Antiditatorial Latino-americana,
representando as juventudes anti-franquistas. Suas ações logo chegaram aos
ouvidos dos rebeldes do M26J, que vislumbraram no grupo a possibilidade de um
suporte propagandístico internacional, que sabiam ser tão imprescindível tanto
durante quanto após a revolução. O acordo era que a Frente fornecesse
instrumental de propaganda e solidariedade a partir do momento em que os revolucionários
aportassem novamente em Cuba. Como “pagamento” a esta importante ajuda da
Frente, o M26J prometeu contribuir com as guerrilhas que Octávio e seus
confrades começavam a planejar junto aos exilados espanhóis das Juventudes
Libertária e Republicana, que explodiriam no México em 1959. Octávio mantinha
boas relações com membros da ALC (Associação Libertária Cubana) e passou a
receber e ajudar exilados libertários que fugiam da ditadura de Batista por
suas atividades clandestinas. A multiplicidade ideológica somava insígnias a
cada novo exilado, e, por vezes, Alberola teve de abandonar a sua vida de que
lhe é característica para conter os ânimos: “tive que intervir pessoalmente
para evitar enfrentamentos violentos entre partidários do 26 de Julho e outros
grupos opositores a Batista, que não aceitavam que lhes impusessem a liderança
castrista. Sempre tratei de convencer a uns e a outros de que a luta contra
ditadura deveria ser prioritária, que as ambições pessoais ou de partido
deveriam ser mantidas em segundo plano. Por isso, ainda que no fim Fidel tenha
imposto sua hegemonia e sua ditadura tenha se prolongado por tantos anos,
continuo acreditando que nosso dever naquele momento era o de lutar, e o
fizemos, contra a ditadura de Batista.” Naquele de apenas 26 anos e muitas
aventuras arribava pela primeira vez em solo mexicano. Seu nome era Ernesto
Guevara Lynch de La Serna. Contava-se três anos desde que o jovem Guevara
iniciara um câmbio profundo em sua vida. Tudo começou em dezembro de 1951
quando ele e Alberto Granado decidiram conhecer a América do Sul abordo de uma
Norton 500 cilindradas, conhecida como “La Poderosa”. Treze mil quilômetros
após saírem de Buenos Aires, eles optam por encerrar a peripécia em solo venezuelano.
Era julho de 1952, Granado foi para Caracas trabalhar num leprosário enquanto
Guevara conseguiu enfiarse num vôo de carga de volta a Rosário, na Argentina.
Era um novo homem, marxista convicto e decidido a seguir mudando, crescendo
como um ser humano comprometido. E isso incluía uma nova peregrinação, agora
por Equador, Bolívia, Panamá, Costa Rica, Peru, Nicarágua, Honduras, El Savador
e Guatemala. Neste último país recebeu o apelido de “Che” - expressão muito
comum na Argentina e Uruguai para denominar “amigo” ou “camarada”. Lá conheceu Ñico
López, tornaram-se amigos e emputeceram-se juntos assistindo o golpe
orquestrado pela CIA para derrubar o então presidente decidiram que era hora de
partir para a ação. Mas sem cometer os mesmos erros de Moncada.
Fonte: Faísca Publicações Libertárias
www.editorafaisca.net
faisca@riseup.net
vendasfaisca@riseup.net
Nenhum comentário:
Postar um comentário