quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Os socialistas, a razão e os fatos.


Os socialistas ignoram a razão e os fatos

Com a surpreendente credulidade que é típica dos clássicos, Fénelon ignora a autoridade da razão e dos fatos, quando atribui a felicidade geral dos egípcios não à sua própria sabedoria, mas à sabedoria de seus reis: Ao olharmos as margens dos rios, percebíamos cidades opulentas, casas de campo agradavelmente situadas, terras que se cobriam a cada ano de douradas colheitas em prados cheios de rebanhos, trabalhadores cansados sob o peso dos frutos que a terra oferece, pastores que faziam ecoar por toda parte o doce som de suas flautas e de seus pífaros. Feliz, dizia Mentor, o povo que é conduzido por um rei sábio.

E Mentor me fazia notar a alegria e a abundância espalhadas por todo o campo no Egito. Aí se podiam contar até vinte e duas mil cidades. A justiça feita a favor do pobre, contra o rico; a boa educação das crianças, acostumadas à obediência, ao trabalho, à sobriedade, ao amor pelas artes
e pelas letras; a exatidão com que todas as cerimônias religiosas eram celebradas, o desinteresse, o desejo da honra, a fidelidade aos homens e o temor aos deuses, tudo isso inspirado pelos pais aos filhos. Ele não se cansava de admirar esta bela ordem. Feliz, me dizia ele, o povo que um rei sábio conduz desta maneira.

Sobre Creta, Fénelon descreve um idílio ainda mais sedutor. Em seguida, coloca na boca de Mentor as seguintes palavras: Tudo o que vocês veem nesta ilha maravilhosa é fruto das leis de Minos. A educação que ele estabeleceu para as crianças torna o corpo sadio e robusto. Elas são inicialmente
acostumadas a uma vida simples, frugal e laboriosa; supõe-se que qualquer prazer dos sentidos amolece o corpo e o espírito; não se lhes propõe jamais outro prazer que o de serem invencíveis, através da virtude e da conquista da glória... Aqui se castigam três vícios que entre outros povos
são impunes: a ingratidão, a dissimulação e a avareza.

Quanto ao fausto e à preguiça, não se tem jamais necessidade de reprimi-los, pois são desconhecidos em Creta... Não se permitem nem mobiliário precioso, nem festins deliciosos, nem palácios dourados.

É assim que Mentor prepara seu aluno para moldar e manipular — sem dúvida nas melhores das intenções — o povo de Ítaca. E para convencer os alunos da sabedoria de suas ideias, Mentor recita-lhes o exemplo de Salento.

É deste tipo de filosofia que recebemos nossas primeiras ideias políticas! Ensinaram-nos a tratar as pessoas como um instrutor de agricultura ensina aos agricultores a preparar e a cuidar do solo.

Fonte: Bastiat, Frédéric
A Lei / Frédéric Bastiat. – São Paulo : Instituto
Ludwig von Mises Brasil, 2010.
Bibliografia
1. Leis 2. Estado 3. Normas 4. Teorias Econômicas
5. Protecionismo I. Título.

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